segunda-feira, janeiro 14, 2008

O AMOR DE JOÃO E CANDINHA

Até pouco tempo a história de Maria Cândida Vaz de Carvalho era desconhecida para mim. Adoro ouvir histórias antigas e fico muito feliz quando tenho o privilégio de conhecer alguma nova. Dia desses, fiquei conhecendo uma história bem antiga da minha família. Foi o Maneco que me contou. O Maneco, sempre foi meu amigo com uma certa ressalva. Aquele amigo que parece que não quer ser. Eu insistia na amizade porque ele é irmão da Thereza, casada com meu primo Inácio Doria Pupo e gosto muito deles. Dia desses o encontrei na chopperia Caborê em Paraty e começamos a conversar. Pronto, era o dia dele me contar uma história muito antiga que dizia respeito a minha família e à dele e o motivo principal de sua diferença comigo. A avó dele foi casada com meu Tio-avô João Batista de Barros lá pelos anos de 1896, irmão do meu Avô Deca, do Tio Tonico pai do Adhemar de Barros, do Tio Benedito, Tio Sebastião, Tio Julio, Tio Felipe, Tio Domingos, Tia Canuta, Tia Anna Euphrozina, Tia Francisca, Tio Carlos, Tio Emydio, Tia Romana. Eram muitos irmãos. Que fôlego que tinha minha Bisavó Sebastiana Leopoldina Schmidt de Barros que já havia sido casada e tinha uma filha do primeiro casamento e ainda teve todos esses! Mas, é do meu Tio João que estou falando. Ele casou com Maria Cândida e eram muito apaixonados. Como vários da família, ele tinha tuberculose. Recém casado com a Candinha, foi para Campos do Jordão para se tratar em uma clinica. A Candinha havia engravidado e depois de alguns meses foi para Campos para visitar seu amor que estava lá internado se recuperando. Quando lá chegou, João havia morrido. No caminho de volta acabou perdendo o bebe e quando chegou de volta em casa, os irmão dele a fizeram voltar para a casa dos pais dela sem direito a nada. Quando o Maneco acabou de me contar, fiquei pasma. Ele continuou. Sua avó se casou novamente com Manuel Sampaio Barros, da cidade de Limeira e teve outros filhos, de quem ele descende, mas disse que sua avó lhe contou que seu grande amor foi o meu Tio João. Nossa, que história! Contou o Maneco que sua avó não quis entrar em litígio com a família do seu marido falecido. Nem sempre quando ouvimos uma história sobre o passado de nossas famílias, essa história é um conto de fadas e não podemos mudar o que já aconteceu. Mas, parece que fui eleita para contar essa história de amor e drama que se passou há 112 anos atrás. Nos dias de hoje, meu avô e seus irmãos teriam uma vida mais fácil com a cura da tuberculose e, muitos que morreram jovens, teriam constituído famílias. Pensei agora que então a Candinha teria sido minha tia-avó. Mas como? Ela foi minha tia-avó! Então, a avó do Maneco é minha tia-avó também. É Maneco, temos muitas ligações de parentescos nessas famílias antigas brasileiras. Quando menos esperamos, pronto, lá está um parente ou uma ligação que nem desconfiávamos.

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