sábado, janeiro 03, 2009

SÓ O ÓCIO LIBERA.

Quando o Oscar falou essa máxima (se é que posso chamar de máxima) há uns 30 anos atrás, isso me parecia ininteligível. O tempo foi passando e a experiência da vida foi me mostrando o significado do que ele havia dito. Para criar precisamos de tranqüilidade, de ócio mesmo. Afinal, o que é ócio? Ócio é vagar; repouso; lazer; descanso; estado de quem não faz nada; preguiça. Descobri que existem algumas profissões que precisam do ócio. O escritor precisa do ócio para criar. É no momento em que está quieto e sem fazer nada que se têm idéias criativas. Não é a toa que muitos escritores, músicos e pintores tinham fama de preguiçosos ou de boêmios. Alguns lugares no Brasil tem fama de terem um povo preguiçoso. A Bahia é uma delas. Li outro dia que o baiano não é preguiçoso, é malemolente. _Afinal, o que é malemolente? Não tem definição, exatamente igual a preguiça do “meu rei” baiano. Mas, além das criações literárias e pictóricas a preguiça é o pai das criações e inventos que vieram revolucionar a vida do homem. Desde a roda, que deu origem ao carro, as máquinas de fiar, tecer e tudo aquilo que pudesse simplificar a vida e a força física do homem. Temos alguns preguiçosos famosos. Um deles é Dorival Caimmi. Ah, aquela rede que ele costumava ficar já apareceu em muitas filmagens. Ele era um preguiçoso e criador maravilhoso. Isso me leva a pensar que para ter equilíbrio no mundo temos que ter os trabalhadores, cheios de vigor e os ociosos para criar. O trabalhador, para se distrair quer ouvir música, poesia, ler, tudo que é criado pelo ocioso. Ninguém consegue criar trabalhando sem parar. Um vive criticando o outro. Os preguiçosos dizem que os trabalhadores fanáticos são uns chatos que só pensam em trabalhar e os trabalhadores dizem que os preguiçosos são um atraso para a sociedade. Os preguiçosos são pacificadores, andam e falam devagar. A história infantil da cigarra e da formiga já condenava a preguiça, mas na prática, sem os preguiçosos a vida criativa perderia muito. Afinal, só o ócio libera a criatividade.