Ao chegar em porto dos escravos, nome que era dado a São Vicente em 22 de janeiro de 1532, Martin Afonso de Souza, provavelmente, vinha com a mente cheia de dúvidas, incertezas e sonhos. Alguns ancentrais da minha família chegaram junto com ele ao Brasil, sócios de engenho de cana que iriam formar aqui no Brasil. Já naquela época os desastres naturais disputavam com o homem as suas força. Em todos os tempos os homens guerreavam entre si e quando não estão lutando, brigam com as forças da natureza. Já em 1542, um maremoto assolou a vila de São Vicente provocado pela devastação dos mangues e pelo desmatamento dos morros e vegetação natural para o plantio de cana, assolando a vila com ondas de 8 metros e avançando por 150 metros terra à dentro segundo relatos da época. Com as devastações atuais e o uso desordenado do nosso meio ambiente, os desastres naturais vêm aumentando. O impacto dos acidentes naturais acabam por se tornar muito significativos arrasando grandes parcelas de áreas populosas. O pensamento de hoje é o desenvolvimento, especialmente o desenvolvimento econômico, esquecendo que para isso nossa sociedade vai destruindo seu meio ambiente e colocando em risco a própria sobrevivência. Aquele sonho que vinha na cabeça de Martin Afonso de Souza de colonizar e desenvolver as novas terras descobertas jamais poderia vislumbrar o desenvolvimento desordenado que o mundo tem. Ainda que hoje existam estudos de impacto ambiental o EIA-RIMA, Estudo de impacto ambiental ou Relatório de Impacto do Meio Ambiente, a devastação natural que já aconteceu, a quantidade de gazes das industrias e veículos que são lançados na atmosfera e que provoca o aquecimento global, o uso de produtos tóxicos na agricultura, em especial o mata-mato cuja única finalidade é encurtar o caminho dos preguiçosos, pois o mesmo trabalho pode ser feito carpindo o mato, não conseguem conter esse desequilíbrio. Isso, sem falar na despreocupação em economizar energia, que deverá ser uma grande preocupação do homem em poucos anos. O homem tem o grande mal de não conseguir prever ou determinar até onde pode ir. Pequenas cidades também padecem do mesmo mal. Todos os Prefeitos pensam em desenvolver suas cidades e em ter um maior rendimento financeiro, mas até que ponto isso pode acontecer sem perder a qualidade de vida, mantendo as belezas, a água, o ar e o equilíbrio entre desenvolvimento e natureza?
Por conta da ganância do homem, nosso mundo vem sendo destruído e assim como povos menos evoluídos conseguiram destruir civilizações avançadas no passado, também nós estamos caminhando para a destruição, e agora, com dimensões muito maiores, pois acabaremos destruindo nosso próprio planeta. Martin Afonso de Souza vislumbrava o desenvolvimento sem nunca pensar no amanhã, e assim também os homens agem hoje.
Esse texto que deveria ser sobre história, para homenagear todos os que escrevem sobre história em Serra Negra, acabou por se tornar um protesto contra a destruição da natureza. Mas, quero citar aqui essas pessoas maravilhosas que buscam preservar a história, tentando passar à nossa população o conhecimento que tem. Parabéns ao Guido Definetti, Alcebíades Felix, Odilon Souza Lemos, Nestor Leme, Alexandre Moreira e Cristiane Galvão que, no momento, estão escrevendo nos jornais de Serra Negra e contando as histórias do passado seja de nossa cidade ou da nossa civilização.